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Descriptografando a Carta Rosa

2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2019.12.24 15:04 MinistroPauloCats O Bolero Venceu o Comunismo

Ironicamente, enquanto o Vietnã do Norte venceu a guerra, é a música "amarela" do Sul, proibida pelos comunistas, que os vietnamitas adoram.

Nos últimos anos, desfrutar canções de bolero escritas antes de 1975 de alguma forma se tornou moda no Vietnã. Um número crescente de jovens ouvintes recorre a esse gênero de música em ritmo lento como uma liberação emocional. Muitos cantores novos escolhem o bolero para iniciar suas carreiras. Alguns cantores cujos nomes são conhecidos por outros gêneros musicais começaram a cantar bolero para agradar seus fãs.

Esta não é apenas uma moda. Faz parte de uma história não contada de 60 anos.

A música moderna do Vietnã nasceu nos anos 1930 e cresceu rapidamente como uma mistura de elementos ocidentais e música tradicional. Teria sido uma jornada deliciosa sem o ponto de virada: a guerra de 9 anos contra a França, que eclodiu em 1946.

O governo do Vietnã, com sua típica postura dos países comunistas de drasticamente moldar uma cultura da classe trabalhadora, começou a mostrar seu ódio pela poesia e música românticas e emocionais. Sentindo-se oprimidos, alguns artistas que costumavam favorecer o Viet-Minh decidiram deixar a zona de guerra e retornaram às cidades, entre as quais Pham Duy e Thai Thanh, o maior compositor e diva vietnamita do século XX.

O ódio piorou depois que a guerra com a França terminou em 1954. Os Acordos de Genebra resultaram na primeira migração em massa de cerca de um milhão de pessoas do norte para o sul, na qual houve verdadeiros talentos que mais tarde se tornaram famosos. Entre os compositores românticos que ficaram em Hanói estava Van Cao, autor de muitas baladas famosas antes da guerra e, especialmente, autor do hino da República Democrática do Vietnã. Ele praticamente deixou de compor desde então.

Durante a próxima guerra - a Guerra do Vietnã - o gênero oficial de música permitido por Hanói foi a música revolucionária ou vermelha. O conteúdo dessa música era para homenagear líderes, o partido comunista e apoiar a produção na retaguarda e a guerra no front. O ritmo era geralmente rápido, e a melodia era veemente. Algumas músicas eram emotivas, mas em geral não eram incentivadas.

Não havia indústria de entretenimento ou música no norte, pois os cantores trabalhavam para unidades administradas pelo estado, civis ou militares, e eram pagos como funcionários públicos. A gravação e transmissão eram monopólio estatal, principalmente através da rádio Voice of Vietnam. O lançamento de música para fins comerciais ficou para a imaginação.

Abaixo do paralelo 17, ao contrário, a música ganhou outra vida. Desde o final da década de 1950, as músicas eram escritas principalmente usando os ritmos bolero, rumba e habanera. Em combinação com a música tradicional do sul, nasceu um gênero de música peculiar ao Vietnã - lento e triste. Com letras simples, mas poéticas e significativas, as músicas diziam muito sobre a vida: família, país, tristeza, felicidade, mas mais significativamente: guerra e amor.

Notavelmente, canções anti-guerra também foram aceitas, elas coexistiram com as canções em homenagem aos soldados da República do Vietnã. No entanto, não havia tais canções no norte para homenagear o presidente ou seu partido.

Além disso, a indústria da música cresceu no sul com muitas gravadoras e palcos musicais que, em duas décadas, introduziram no mercado centenas de cantores, muitos dos quais se tornaram lendas do bolero: Thanh Thuy, Hoang Oanh, Phuong Dung, Thanh Tuyen, e Che Linh. Esses cantores são famosos desde o início dos anos 1960 e ainda estão cantando.

Não está claro a partir de que ponto a música do Vietnã do Sul começou a ser chamada de música amarela. O motivo pode ter origem na bandeira nacional amarela da República do Vietnã, em oposição à vermelha adotada pela República Democrática do Vietnã.

Durante a guerra, era compreensível que a música amarela não fosse permitida no norte. Mas depois de 1975, quando o Sul foi derrotado e o Vietnã unificado, ela ainda não era permitida, pois era considerada um vestígio da antiga sociedade. Houve campanhas de propaganda para desencorajar o público de ouvir música amarela. No auge da repressão, os flagrados ouvindo música amarela eram punidos, e suas cassetes, discos e pautas de música confiscadas.

Apesar desse controle, a música amarela, cujo principal componente era o bolero, ainda era secretamente cantada por cantores do sul que não deixaram o Vietnã (ou não tiveram a chance de fugir) e pelos próprios ouvintes. A indústria da música foi morta, mas a música continuou viva.

Após a queda de Saigon e até meados da década de 90, ocorreu a segunda migração em massa do povo vietnamita. Os refugiados, conhecidos como povo dos botes, tentaram fugir do Vietnã em busca de liberdade. A música amarela os acompanhava a muitos cantos do mundo, especialmente aos Estados Unidos, a segunda terra dos vietnamitas anticomunistas. A música amarela continuou a ser cantada por cantores anteriores a 1975 e passou para as próximas gerações. As pessoas sobreviveram e a música também.

No Vietnã, depois de 1986, o controle do estado sobre a cultura em geral e a música em particular foi diminuído. A música amarela não era oficialmente permitida, mas não era mais banida. Na década de 1990, quando mais músicas de amor foram autorizadas a serem cantadas e compostas novamente, algumas músicas amarelas neutras também foram aceitas. Às vezes, os nomes dos compositores foram alterados, mas a música permaneceu.

Mesmo antes do amplo uso da Internet, embora proibido, os produtos musicais dos refugiados vietnamitas, como as séries Paris By Night e Ásia, encontraram seu caminho de volta para casa sob o novo nome: música do além-mar. Curiosamente, o governo se desviou de um controle rigoroso para um tipo de subsídio de fato. Mas a maior parte do legado musical do Vietnã do Sul, mesmo nos dias de hoje, permanece em silêncio e no escuro: as músicas são revisadas lentamente e aceitas uma a uma, a pedido de um comitê estadual de artes.

Nos últimos anos, a mudança tem sido dramática, pois muitos cantores estrangeiros recebem permissão para retornar e se apresentar no Vietnã. Cantores nacionais mais jovens começaram a recorrer ao bolero e o público se tornou mais jovem e não limitado a uma determinada classe. Cantar e ouvir música pré-1975 parece ter se tornado moda no Vietnã.

Além de poderem se apresentar, também existem reality shows chamados Solo com Bolero e Bolero Idol - competições em busca de talentos nesse gênero musical, uma vez banido. A maioria dos juízes convidados para Solo com Bolero são cantores estrangeiros, alguns dos quais costumavam ser banidos.

Ainda existem algumas restrições. O termo "música amarela" não é oficialmente usado na mídia. É intencionalmente chamado de música country, música antiga - e mais frequentemente bolero (muitas das músicas amarelas mais populares não são, de fato, bolero). Alguns cantores anteriores a 1975 conseguem obter licenças para organizar shows ao vivo em qualquer lugar, exceto a cidade de Ho Chi Minh, anteriormente Saigon.

Além do renascimento da música amarela, muitas vezes há queixas sobre a música contemporânea no Vietnã. "Lixo" e "sem sentido" são as palavras usadas para descrevê-lo. Voltando ao passado, neste contexto, existe a opção preferível. Ironicamente, é o passado do Vietnã do Sul que o público vietnamita está abraçando. A música revolucionária vermelha não é mais preferida pelos jovens ouvintes e é tocada principalmente em eventos oficiais.

Muitas pessoas atribuem o renascimento da música amarela ao fato de que ela exibe melhor as características culturais do país e está mais próxima da música tradicional. Ele fala com a alma e o coração dos indivíduos comuns, diferindo em muitos aspectos dos temas políticos da música vermelha.
Assim, enquanto o Norte pode ter vencido a guerra, a música e a cultura do Sul continuam vivas. Mais do que apenas sobreviver, ela prospera.

Dinh Duy é colunista freelancer e doutorando em Milão, Itália

https://thediplomat.com/2016/10/the-revival-of-bolero-in-vietnam/
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2019.12.24 09:19 MinistroPauloCats O Bolero Venceu o Comunismo

Ironicamente, enquanto o Vietnã do Norte venceu a guerra, é a música "amarela" do Sul, proibida pelos comunistas, que os vietnamitas adoram.

Nos últimos anos, desfrutar canções de bolero escritas antes de 1975 de alguma forma se tornou moda no Vietnã. Um número crescente de jovens ouvintes recorre a esse gênero de música em ritmo lento como uma liberação emocional. Muitos cantores novos escolhem o bolero para iniciar suas carreiras. Alguns cantores cujos nomes são conhecidos por outros gêneros musicais começaram a cantar bolero para agradar seus fãs.

Esta não é apenas uma moda. Faz parte de uma história não contada de 60 anos.

A música moderna do Vietnã nasceu nos anos 1930 e cresceu rapidamente como uma mistura de elementos ocidentais e música tradicional. Teria sido uma jornada deliciosa sem o ponto de virada: a guerra de 9 anos contra a França, que eclodiu em 1946.

O governo do Vietnã, com sua típica postura dos países comunistas de drasticamente moldar uma cultura da classe trabalhadora, começou a mostrar seu ódio pela poesia e música românticas e emocionais. Sentindo-se oprimidos, alguns artistas que costumavam favorecer o Viet-Minh decidiram deixar a zona de guerra e retornaram às cidades, entre as quais Pham Duy e Thai Thanh, o maior compositor e diva vietnamita do século XX.

O ódio piorou depois que a guerra com a França terminou em 1954. Os Acordos de Genebra resultaram na primeira migração em massa de cerca de um milhão de pessoas do norte para o sul, na qual houve verdadeiros talentos que mais tarde se tornaram famosos. Entre os compositores românticos que ficaram em Hanói estava Van Cao, autor de muitas baladas famosas antes da guerra e, especialmente, autor do hino da República Democrática do Vietnã. Ele praticamente deixou de compor desde então.

Durante a próxima guerra - a Guerra do Vietnã - o gênero oficial de música permitido por Hanói foi a música revolucionária ou vermelha. O conteúdo dessa música era para homenagear líderes, o partido comunista e apoiar a produção na retaguarda e a guerra no front. O ritmo era geralmente rápido, e a melodia era veemente. Algumas músicas eram emotivas, mas em geral não eram incentivadas.

Não havia indústria de entretenimento ou música no norte, pois os cantores trabalhavam para unidades administradas pelo estado, civis ou militares, e eram pagos como funcionários públicos. A gravação e transmissão eram monopólio estatal, principalmente através da rádio Voice of Vietnam. O lançamento de música para fins comerciais ficou para a imaginação.

Abaixo do paralelo 17, ao contrário, a música ganhou outra vida. Desde o final da década de 1950, as músicas eram escritas principalmente usando os ritmos bolero, rumba e habanera. Em combinação com a música tradicional do sul, nasceu um gênero de música peculiar ao Vietnã - lento e triste. Com letras simples, mas poéticas e significativas, as músicas diziam muito sobre a vida: família, país, tristeza, felicidade, mas mais significativamente: guerra e amor.

Notavelmente, canções anti-guerra também foram aceitas, elas coexistiram com as canções em homenagem aos soldados da República do Vietnã. No entanto, não havia tais canções no norte para homenagear o presidente ou seu partido.

Além disso, a indústria da música cresceu no sul com muitas gravadoras e palcos musicais que, em duas décadas, introduziram no mercado centenas de cantores, muitos dos quais se tornaram lendas do bolero: Thanh Thuy, Hoang Oanh, Phuong Dung, Thanh Tuyen, e Che Linh. Esses cantores são famosos desde o início dos anos 1960 e ainda estão cantando.

Não está claro a partir de que ponto a música do Vietnã do Sul começou a ser chamada de música amarela. O motivo pode ter origem na bandeira nacional amarela da República do Vietnã, em oposição à vermelha adotada pela República Democrática do Vietnã.

Durante a guerra, era compreensível que a música amarela não fosse permitida no norte. Mas depois de 1975, quando o Sul foi derrotado e o Vietnã unificado, ela ainda não era permitida, pois era considerada um vestígio da antiga sociedade. Houve campanhas de propaganda para desencorajar o público de ouvir música amarela. No auge da repressão, os flagrados ouvindo música amarela eram punidos, e suas cassetes, discos e pautas de música confiscadas.

Apesar desse controle, a música amarela, cujo principal componente era o bolero, ainda era secretamente cantada por cantores do sul que não deixaram o Vietnã (ou não tiveram a chance de fugir) e pelos próprios ouvintes. A indústria da música foi morta, mas a música continuou viva.

Após a queda de Saigon e até meados da década de 90, ocorreu a segunda migração em massa do povo vietnamita. Os refugiados, conhecidos como povo dos botes, tentaram fugir do Vietnã em busca de liberdade. A música amarela os acompanhava a muitos cantos do mundo, especialmente aos Estados Unidos, a segunda terra dos vietnamitas anticomunistas. A música amarela continuou a ser cantada por cantores anteriores a 1975 e passou para as próximas gerações. As pessoas sobreviveram e a música também.

No Vietnã, depois de 1986, o controle do estado sobre a cultura em geral e a música em particular foi diminuído. A música amarela não era oficialmente permitida, mas não era mais banida. Na década de 1990, quando mais músicas de amor foram autorizadas a serem cantadas e compostas novamente, algumas músicas amarelas neutras também foram aceitas. Às vezes, os nomes dos compositores foram alterados, mas a música permaneceu.

Mesmo antes do amplo uso da Internet, embora proibido, os produtos musicais dos refugiados vietnamitas, como as séries Paris By Night e Ásia, encontraram seu caminho de volta para casa sob o novo nome: música do além-mar. Curiosamente, o governo se desviou de um controle rigoroso para um tipo de subsídio de fato. Mas a maior parte do legado musical do Vietnã do Sul, mesmo nos dias de hoje, permanece em silêncio e no escuro: as músicas são revisadas lentamente e aceitas uma a uma, a pedido de um comitê estadual de artes.

Nos últimos anos, a mudança tem sido dramática, pois muitos cantores estrangeiros recebem permissão para retornar e se apresentar no Vietnã. Cantores nacionais mais jovens começaram a recorrer ao bolero e o público se tornou mais jovem e não limitado a uma determinada classe. Cantar e ouvir música pré-1975 parece ter se tornado moda no Vietnã.

Além de poderem se apresentar, também existem reality shows chamados Solo com Bolero e Bolero Idol - competições em busca de talentos nesse gênero musical, uma vez banido. A maioria dos juízes convidados para Solo com Bolero são cantores estrangeiros, alguns dos quais costumavam ser banidos.

Ainda existem algumas restrições. O termo "música amarela" não é oficialmente usado na mídia. É intencionalmente chamado de música country, música antiga - e mais frequentemente bolero (muitas das músicas amarelas mais populares não são, de fato, bolero). Alguns cantores anteriores a 1975 conseguem obter licenças para organizar shows ao vivo em qualquer lugar, exceto a cidade de Ho Chi Minh, anteriormente Saigon.

Além do renascimento da música amarela, muitas vezes há queixas sobre a música contemporânea no Vietnã. "Lixo" e "sem sentido" são as palavras usadas para descrevê-lo. Voltando ao passado, neste contexto, existe a opção preferível. Ironicamente, é o passado do Vietnã do Sul que o público vietnamita está abraçando. A música revolucionária vermelha não é mais preferida pelos jovens ouvintes e é tocada principalmente em eventos oficiais.

Muitas pessoas atribuem o renascimento da música amarela ao fato de que ela exibe melhor as características culturais do país e está mais próxima da música tradicional. Ele fala com a alma e o coração dos indivíduos comuns, diferindo em muitos aspectos dos temas políticos da música vermelha.
Assim, enquanto o Norte pode ter vencido a guerra, a música e a cultura do Sul continuam vivas. Mais do que apenas sobreviver, ela prospera.

Dinh Duy é colunista freelancer e doutorando em Milão, Itália

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2019.04.24 02:30 Spookycliquebr Twenty One Pilots para a NME [traduzido]

As filiais da B&Q em Birmingham devem estar fazendo um grande comércio de fita adesiva amarela. Fora do Resort World Arena da cidade, em 27 de fevereiro, os adolescentes estão aplicando-o avidamente ao uniforme verde do exército. À medida que mais tropas descem - com lenços de pescoço amarelos usados ​​como máscaras - é como um elenco para uma versão júnior de The Purge.
Os espectadores podem ser perdoados por presumir que uma demonstração Anônima vai acontecer, mas esta é a Skeleton Clique, superfanbase ferozmente dedicada de Twenty One Pilots, esperando do lado de fora do local seis horas antes do duo de Ohio estar no palco para dar o pontapé inicial no Reino Unido de sua gigantesca Bandito Tour.
Eles fizeram meticulosamente cosplay dos uniformes do vocalista Tyler Joseph e do baterista Josh Dun na arte e vídeos apocalípticos de seu último álbum, "Trench". Alguns se sentam esboçando fotos de seus ídolos. Um aperta um banner estampado com as palavras "VOCÊ SALVOU MINHA VIDA".
É apropriado, porque Twenty One Pilots - com seus principais temas de insegurança, saúde mental e fé - é uma banda perfeita para salvar a vida, uma referência para aqueles que acham que ninguém os entende.
No papel, no entanto, eles são desafiadoramente estranhos. Com "Trench", eles criaram um mundo mítico de alto conceito - que pode confundir até mesmo os roteiristas de Lost. Vagamente, sua trama diz respeito a uma cidade alegórica chamada Dema e os nove bispos ditatoriais que impedem seus habitantes de escapar - e a força rebelde de bandidos que buscam libertá-los. Mas há muito mais do que isso.
Longos sub-threads Reddit são dedicados a decodificar significados ocultos em músicas e decifrar pistas em cada peça de mídia que a banda lança. Há muitos ovos de páscoa: por exemplo, o nome completo de 'Nico' da música 'Nico e os Niners' - um grande inimigo - é Nicolas Bourbaki, que é o pseudônimo coletivo para os cientistas que inventaram a notação de zero - o ø usado na marca de twenty one pilots.
Musicalmente, eles são igualmente pouco convencionais: uma geração Spotify pós-gênero mistura de estilos que facilmente se exercitam através do rap, reggae, R&B, prog, electro-pop, indie - basicamente, eles voltaram a mão para tudo “Canto da garganta mongol”. No entanto, de alguma forma, é verdade que "Blurryface" - seu quarto álbum inovador - enviou o duo estratosférico em 2015, permitindo que o baterista Josh Dun fizesse seus backflips de marca regristrada nos maiores palcos do mundo.
Nos bastidores da arena, os assistentes [de palco] estão montando a elaborada e visualmente espetacular produção de Bandito, que envolve um carro em chamas, e dublê [de corpo] que permitem que um Tyler vestido de capuz desapareça e reapareça, como Houdini, no meio da música, em diferentes partes da arena.
Versões de brinquedos peludos do Ned - o personagem CGI gremlin que eles introduziram recentemente no vídeo "Chlorine" - sobre os alto-falantes. Quando nós primeiro pegamos um vislumbre de Josh - conhecido por suas acrobacias - ele está tocando bateria de ar e fazendo piruetas no ar para suas próprias músicas. Mais tarde, ele e Tyler brigam com os aspiradores de pó que estão sendo usados ​​para aspirar o palco.
Mas eles têm foco de laser. Na música de "Trench", "Bandito", Tyler canta: "Eu criei este mundo para poder sentir algum controle", e você acha que isso se estende a todos os aspectos da banda. Sua pequena equipe de proteção vem de sua cidade natal, Columbus, e tudo o que a NME faz com a banda acontece sob o olhar atento de seu círculo íntimo.
Durante nosso bate-papo de 70 minutos, o gerente da turnê está parado na porta do camarim, aumentando a sensação de que você pode ser transportado para um bunker, emergindo meses depois, reprogramado e enrolado em uma fita adesiva amarela.
Felizmente, a banda é charmosa e solícita. O principal compositor, Tyler, vacila de ser intenso a imbecil ("Nós passamos tanto tempo juntos, eu sinto que sei tudo sobre John", ele brinca com Josh).
Quando ele está dizendo algo revelador, evita o contato visual. Josh é seu lastro lúdico, tendendo a sentar em silêncio e participar apenas quando há uma piada. Nem xinga - nem sequer uma vez. Tendo vindo direto de uma sessão de autógrafos do HMV, Tyler está preocupado com sua voz. "Eu tentei não falar com nenhum deles, mas não posso evitar", diz ele. "Eu fico tipo: 'Muito obrigado por ter vindo, de onde você veio?'"
Eles parecem ser tocados pelos extremos aos quais seus apoiadores foram. Do lado de fora, os fãs até se agitaram vestidas como "bispos" em roupas vermelhas enquanto na Rússia, roupas de banana apareceram na multidão - uma piada sobre como Tyler e Josh, ambos com 30 anos, têm aversão à fruta.
"Nós fornecemos apenas alguns pedaços da inspiração, mas eles são os únicos que se tornaram o motor da coisa toda", diz Tyler. Além de Tyler uma vez "ficar na fila por oito horas, quando The Killers tocou minha cidade natal", nenhum deles foi a extremos extraordinários para seus grupos favoritos. “Nós desejamos que o nível de cultura dos fãs estivesse por perto quando éramos mais jovens”, observa Josh. "Porque muitas dessas histórias sobre como essas pessoas se conheceram e como elas se tornaram melhores amigas quando estão esperando na fila por horas e dias são inspiradoras e legais."
"Blurryface" tornou-se o primeiro disco da história a ter cada uma das músicas certificadas pelo menos em ouro. Quando eles colecionaram o Grammy em 2017 para Melhor Performance de Pop Duo / Grupo para o single "Stressed Out" (batendo Rhianna e Drake, e Sean Paul - um homem que os descreveu como "o novo Nirvana"), eles tiraram seus boxers em o caminho para o palco, lembrando-se de como uma vez eles assistiram ao show de premiação em suas calças em Columbus e disseram: 'Se algum dia ganharmos um Grammy, deveríamos recebê-lo assim'.
É indicativo de sua ambição. Tendo formado Twenty One Pilots como um trio na universidade em 2009, Tyler recrutou Josh e perdeu dois membros em 2011. “Desde o início, tínhamos grandes visões e sonhos de onde queríamos estar, então nada nos pegou de surpresa”, diz Josh , imperturbável. "O que seria mais surpreendente para as pessoas é quantas vezes nos olhamos e dissemos: 'Sim, é exatamente isso que imaginamos e o que vimos'.
Durante o ciclo "Blurryface", eles se lembram de vender pequenos clubes, teatros e arenas no mesmo ano. "Quando você diminui o zoom, você pode pensar: 'Ah, isso foi muito louco'", diz Josh. "Mas nós estávamos em turnê desde 2011 tocando em shows todas as noites, então você está perto demais para perceber isso. É como quando seu tio, que não o viu por um ano, chega e diz: "Você ficou muito alto".
As coisas mudaram, no entanto. Questionado sobre quem é o contato mais famoso em seu telefone, Tyler passa pela sua lista de contatos antes de parar em Chris Martin ("Isso é incrível de dizer em voz alta", ele ri) - o vocalista do Coldplay certa vez deixou uma mensagem de voz sobre a banda. Josh responde: Eu cresci ouvindo uma tonelada de Blink [182], então pensar que nos últimos anos eu me tornei amigo de Mark [Hoppus], é surreal. Quando eu era adolescente, eu nunca teria imaginado que iria trocar mensagens com ele.
Em outubro, quando lançaram 'Trench' - após um apagão de um ano sem envolvimento de mídias sociais ou shows, e uma trilha secreta para os fãs seguirem levando ao seu anúncio - ele só foi derrotado nas paradas por Lady Gaga e Bradley Cooper, com ‘Nasce Uma Estrela'.
Você pode argumentar que é igualmente cinematográfico: as pessoas sugeriram a Tyler que eles deveriam expandir suas promessas distópicas em um longa-metragem. "A intenção nunca foi, 'vamos escrever um disco que tenha força suficiente para se transformar em uma série da Netflix', mas é legal saber que criamos algo com substância suficiente para sabermos que essa pergunta está sendo feita", ele nega.
Além disso, embora camuflada na fantasia, e a mitologia Dema, com suas referências a religiões antigas como o zoroastrismo, "Trench" é, na verdade, uma dissertação sobre saúde mental do final de vinte anos. Nas composições, como nas conversas, Tyler diz suas coisas mais interessantes quando ele não olha nos seus olhos.
Tendo a narrativa preparada “durante anos”, ele tentou introduzi-la em “Blurryface”, cujo personagem principal é uma personificação de sua ansiedade e insegurança. Durante esse tempo, ele até se apresentou com as mãos e o pescoço revestidos de tinta preta - para representar o aperto tóxico de sua ansiedade. A maneira como ele descreve "Trench" é semelhante a um mapa psicanalítico do Google.
"É sobre usar a arte de contar histórias para entender melhor um problema muito menos fantástico que está navegando em sua própria psique e dando a ela um destino e lugares que você deve e não deve ir e os personagens que deve evitar. E isso pode ser encontrado dentro da luta de cada pessoa ”, diz Tyler.
"É interessante que 'Blurryface' - onde criei um personagem que representa tudo o que eu não gostei de mim mesmo e tudo o que estou tentando superar coincidentemente foi o álbum que realmente aconteceu para nós", continua ele. “O fato de sermos forçados a revisitá-lo todas as noites é uma lição valiosa em suas próprias inseguranças pessoais: você trabalha com isso, tenta superá-lo, mas nunca é algo que você pode simplesmente deixar de lado e se separar”.
Um trio de músicas em "Trench", Tyler se vê totalmente demitido e existe "fora da mitologia da série Netflix", como ele diz. 'Smithereens' é uma canção de amor bonitinha, dirigida por ukulele para sua esposa, Jenna Black, com quem ele se casou em 2015. 'Legend', entretanto, é uma homenagem ao seu avô, Bobby, que apareceu na capa do álbum de 2013 'Vessel 'ao lado do avô de Josh. Ele começou a escrever a faixa quando a demência de Bobby começou, mas seu avô faleceu em Março do ano passado, antes que pudesse ouvi-la.
Tyler: “Eu menciono nas letras: 'Eu gostaria que ela tivesse te conhecido.’ E eu estou falando da minha esposa, porque quando ela começou a aparecer, ele ficou pior. Ele costumava ser tão espirituoso e iluminava um quarto e mudava a dinâmica social de qualquer situação, e há centenas e centenas de histórias clássicas, mas quando ela chegou, ele estava indo depressa. Ele era imprevisível, não lembrava os nomes das pessoas, o que era um novo tipo de dor.”
Seus olhos parecem lacrimejar. “Meu pai me contou um momento no final - onde ele se lembrava do meu nome - e perguntou: 'O que o Tyler está fazendo?'. Ele sempre perguntava e meu pai tentava explicar: "Ele está em uma banda, toca música". E ele disse: "Bem, eu quero ouvir uma música".
E isso foi antes de eu escrever qualquer coisa para "Trench". Meu pai está dirigindo o carro e ele continua insistindo: "Bem, eu quero ouvir uma música!". E meu pai não tinha nenhuma música no carro. Por puro desespero, ele liga o rádio e agita o dial algumas vezes e uma de nossas músicas está ligada e ele pode dizer: "Lá - aí está ele e esta é a sua música".
“E assim, de uma maneira estranha, você pode pensar em todo o sucesso e reconhecimento que tivemos, foi apenas para preencher uma pequena história onde meu pai foi capaz de mostrar ao meu avô a música que eu escrevi naquele momento no rádio."
Em ‘Neon Gravestones’, tipo Post Malone, Tyler corre contra a alegoria de alguém tirando a própria vida de alguma forma "glamourosa" em vez de uma tragédia, cantando: "Na minha opinião, / Nossa cultura pode tratar uma derrota / Como se fosse uma vitória”, E a fetichização irresponsável do Clube 27 (“ Eu poderia desistir e aumentar minha reputação / eu poderia sair com um estrondo / Eles saberiam o meu nome”).
"Eu estava com medo dessa música", diz Tyler. “Então, essa música é muito preta e branca. Eu trabalhei duro em cada pronome. Porque eu sabia que era um assunto delicado, a última coisa que eu precisava era que alguém entendesse mal o que eu estava tentando dizer. Eu estava com medo de não me esconder atrás da metáfora. Eu entendo que há riscos em ser mal interpretado ou deturpado. Há uma chance absoluta de ofender as pessoas ou parecer desonra, mas eu realmente queria focar nas pessoas que estão aqui para ouvir. Eu queria apontar algo que gostaria de ouvir quando estiver passando por esses pensamentos.”
Tyler aplaude a nova geração de artistas falando abertamente sobre sua saúde mental e desabilitando o estigma. "Eu acho que nossa cultura, quando se trata de suicídio e depressão, deu um grande salto", diz ele. “Estou tão orgulhoso de que a música tenha liderado a capacidade de falar sobre isso tão abertamente, e falar sobre isso é muito importante. Então, de certa forma, eu realmente sinto que há um grande lado disso que tem sido coberto com "vamos falar sobre isso, tipo, você não é louco, não há nada de errado em apenas olhar quantas pessoas passam por isso".
"Trench" culmina com a abrangente "Leave The City", que Tyler descreveu como uma "crise de fé". Tanto ele como Josh foram criados em lares religiosos. O pai de Tyler era o diretor da escola cristã que ele freqüentava; quando Josh era mais jovem, a maioria da música secular foi banida, deixando-o para esconder contrabando de álbuns do Green Day debaixo da cama.
"Um dos equívocos é por causa de onde estamos e do que conquistamos - e porque as pessoas acham que temos um estilo de vida de rock louco - que aprendemos que não precisamos mais de Deus", explica Tyler. "E não é isso."
“Eu sou o tipo de pessoa que precisa desafiar tudo e minha fé é algo que eu sempre passei por temporadas fortemente desafiadoras e uma vez que eu coloquei em teste e vi o que é, eu sou capaz de aceitar isto. Durante 'Trench', houve momentos específicos em que você conseguiu ver onde eu estava em minhas temporadas de desafio e re-aceitação - e eu definitivamente estava passando por um momento desafiador. ”
“A questão é: preciso de Deus? A verdade é que não tenho resposta para isso alguns dias. Alguns dias eu tenho, e porque eu escrevo músicas, eu escrevo letras - você vai me ver entender. Não posso deixar de abordar esses tipos de perguntas porque é por isso que comecei a escrever músicas em primeiro lugar. ”
Essas grandes questões estão à espreita sob o capô de um carro muito brilhante. A razão pela qual twenty one pilots provaram ser tão bem sucedidos comercialmente é porque as próprias canções transbordam de ganchos. Você não precisa saber que "Leave The City" envolve uma crise existencial - ou exige um guia turístico para Dema - para aproveitar o fato de soar como M83 produzindo My Chemical Romance em sua pompa da Black Parade.
O que não pode ser exagerado é o quão divertido é o espetáculo ao vivo de Twenty One Pilots. Hoje à noite, eles se abrem com Josh segurando uma tocha acesa, incendiando um carro, e assistindo a fusileantes de shows de mágica de Vegas, kits de bateria de multidões, homens vestidos de Hazmat borrifando névoa na platéia, confetes e uma competição para encontrar o melhor pai dançarino.
Não é surpresa que Tyler diga que ele é competitivo: como alguém que já foi oferecido uma bolsa de basquete, pode ser. Coloque-o com outra banda e é como hamsters compartilhando uma jaula.
Quando eles assinaram com o emo-citadel Fueled by Ramen - lar dos amigos Paramore e Panic! At The Disco - Pete Wentz do Fall Out Boy levou-os sob sua asa para martelar isso fora deles. "Ele nos mostrou como ser bons irmãos", diz Tyler. "Quando começamos a tocar localmente, você estaria na lista com outras nove bandas. Você queria que eles explodissem, então você viria e roubaria o show. Quando saímos em turnê como o ato de abertura do Panic! e Fall Out Boy, nós tínhamos a mesma mentalidade, mas Pete disse: "Veja todas aquelas pessoas lá fora - vá e faça fãs".
"E eu nunca percebi...", diz ele com total sinceridade e sem nenhum traço de hipérbole em sua voz - "as pessoas poderiam ser fãs de mais de uma banda. Mas estaríamos mentindo se disséssemos que a vantagem competitiva desapareceu completamente. Queremos ser os melhores - e manter todos os outros afastados”.
Enquanto "Trench" foi escrito principalmente por Tyler em seu estúdio no porão em Columbus e enviado para Josh (que agora vive em Los Angeles), seu acompanhamento está sendo escrito na estrada. Ele irá aprofundar ainda mais no folclore de twenty one pilots. "Há um personagem sobre o qual não se fala que desempenha um grande papel e é provável que este seja o próximo passo", diz Tyler.
Josh, por sua vez, tem um casamento para se preparar, tendo se comprometido com a ex-aluna do Disney Channel, Debby Ryan, em Dezembro. Ele brinca que entrará na igreja com solos de bateria. Mas o que há em ambas as mentes é o final da turnê no Reino Unido - estrelando no Reading e Leeds em Agosto.
“Reading & Leeds é um dos primeiros festivais que assistíamos quando nos conhecíamos”, diz Tyler. “Nós assistíamos a vídeos na internet. Nos concentramos nesse programa há meses, no que a produção vai ser.”
Tyler olha para os sapatos, frustrado consigo mesmo. "Não consigo expressar exatamente como isso é importante, mas estamos muito animados em poder provar que esse é o lugar onde pertencemos. Nem todo mundo está lá na platéia para ver você e você tem que conquistá-los, você tem que trabalhar duro para eles. Há outras bandas tentando se destacar e estamos prontos para tirar a cabeça deles.”
Resistência - liderada por bandidos ou não - é fútil.
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2015.04.17 23:39 gutoprica Um Deus que ama a beleza.

“Ele fez tudo apropriado ao seu tempo”. Ec. 3:11.
“Uma coisa pedi ao SENHOR; é o que procuro: que eu possa viver na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a bondade do SENHOR e buscar sua orientação no seu templo.” Sl. 27:4.
Tudo o que Deus criou é bonito! Nada no Universo é sem cor, forma ou estilo. Ele transforma cinzas em beleza. Ele é o “Cântico dos Cânticos,” o “Oleiro,” o “Senhor da Beleza”. Ele é belo. As Artes revelam o Criador através da Música, palavras, cores, Design, equilíbrio, movimento, harmonia, ritmo. Davi disse que as estrelas cantam a glória do Senhor e existem físicos, hoje, que acreditam que é bem possível que os planetas vibram em perfeita sintonia. No sétimo dia da criação, Deus descansou. Não devemos pensar nesse descanso em nível de cansaço comum, porque Deus não sofre de fadiga. Devemos pensar nesse descanso como um tempo para contemplar a beleza da criação, saborear a qualidade de tudo o que Ele criou. Os atributos de Deus revelados através das Artes são: beleza, descanso e celebração. O propósito de Deus para essa área é nos renovar e nos restaurar, proporcionando-nos alegria pelo nosso trabalho.
Sou um artista cristão ou um cristão que é artista?
Os artistas cristãos de hoje em dia têm muita dificuldade para compreender o propósito de seus talentos. Se sua obra não fala diretamente sobre Jesus, ela ainda tem algum valor? Eles devem ou não trabalhar em produções com não-cristãos? Quando alguns vêem uma construção magnífica, ou uma pintura, uma peça teatral, ou um espetáculo maravilhoso, eles tendem a perguntar se a produção foi realizada por cristãos, como se isso validasse a beleza. Porém, a beleza em si já é um atributo de Deus. Colocar um adesivo escrito Jesus sobre as coisas, não as tornam mais bonitas. Pregar o Evangelho pode ser bonito, mas, a beleza, não traz uma mensagem adicional necessariamente. Podemos ter arte e beleza nas igrejas, mas a arte não tem de estar diretamente relacionada com uma expressão eclesiástica, para poder revelar Deus.
Qualquer coisa, incluindo tipos de música, notas musicais ou instrumentos podem ser utilizados para o bem ou para o mal. Não existe algo como notas musicais demoníacas, ritmos ou instrumentos demoníacos. Satanás não é o dono de nada disso, assim como ele não é o dono da lua, dos cogumelos ou das cores. Tudo é criação de Deus. Qualquer coisa que Deus tenha feito pode ser usada para adorar Satanás, mas também, pode servir para revelar Deus. Temos a tendência de achar que as músicas antigas são mais espirituais e que qualquer coisa muito moderna se torna suspeita, ou então, má. Obviamente, isso tem mais a ver com gosto pessoal que com Deus. Nós escutamos satisfeitos, os bonitos hinos luteranos, pois, eles revelam virtudes espirituais. O que a maioria de nós não sabe, é que Lutero colocou letras cristãs nas músicas favoritas dos bares da época. Eu queria saber o que os cristãos alemães daquele tempo pensaram dessas músicas populares sendo usadas pela igreja.
As Escrituras revelam três temas na Música
Ao estudarmos artes e música nas escrituras, encontramos registrados três temas: adoração, é claro, canções nacionais ou políticas e canções de amor. Uma canção de amor ganhou um livro inteiro – Cantares de Salomão. Atualmente, adoração, hinos, louvor e salmos são todos considerados importantes, mas, perdemos a capacidade de celebrar o amor humano e o amor pela nação. Se observarmos os hinos nacionais do mundo todo, você vai perceber que a grande maioria deles, escritos antes de 1970, mencionam Deus e Suas bênçãos. Até o Século passado, era entendido que Deus está envolvido na vida política de uma nação, até que algumas nações começaram a remover de seus hinos essas referências a Deus.
Será que foi por causa da secularização do país ou por causa da igreja, que perdeu a compreensão da atuação de Deus na área Política? Onde estão as canções de amor? Nossas ondas sonoras estão abarrotadas com mensagens de amor que são, no mínimo, degradantes ou lascivas. Porém, quando um músico que seja cristão escreve e apresenta uma bela celebração de amor humano, nós o acusamos de estar sendo “secular” ou de não estar sendo fiel à sua fé, não apresentando Jesus. As Escrituras celebram todos esses temas da Música e os usam para revelar Deus.
Se definirmos ópera como uma história em forma de música, então em Dt. 32, Moisés nos apresenta uma ópera muito antiga, senão a primeira a ter sido criada. Esse impressionante líder político entendia tanto a importância da Música na vida de uma nação que, ao final de sua vida, compôs uma obra que continha princípios importantes a serem lembrados por seu povo. E Moisés recitou as palavras desta canção, do começo ao fim, na presença de toda a assembléia de Israel…
As disciplinas das Artes
Assim como a Ciência, Deus governa as Artes por meio de Leis que regem cada disciplina: leis de Estética, Harmonia, Ritmo, Dissonância, Cor, Forma, Design, Estilo, Espaço positivo e negativo. Seja na Dança, na Escultura, na Pintura, na Literatura ou na Composição Musical, todos os artistas compreendem que existem princípios através dos quais cada uma dessas disciplinas funciona. Dominar esses princípios é fundamental para obter habilidade. Talento, então, é fazer esses princípios desaparecerem em meio à expressão artística. Pessoas “não-salvas” criam coisas belas porque são feitas à imagem de Deus. O único problema, é que elas não se dão conta de quem é a fonte de seu talento ou de seu amor pela beleza. Eles não conhecem quem lhes deu seu talento, mas, ainda assim, seu talento celebra Deus. Eles não sabem a quem agradecer. Mas, o fato deles conhecerem, ou não a Deus, não muda a beleza de suas criações. Nem palavras em Hebraico podem tomar uma melodia mais bonita. A beleza tem um valor intrínseco, ta! como a extensão da natureza e do caráter de Deus.
Morno
Muito daquilo que hoje chamamos de Música e Arte cristãs, é, no mínimo, medíocre. Talvez, porque pensamos que a única coisa que importa é se essas falam sobre Deus. E importante apresentarmos a mensagem de Cristo. Contudo, é tanto um absurdo quanto um perigo, pensarmos que a única coisa que importa num cirurgião é o seu amor por Deus e que sua técnica em cirurgia não é relevante. O coração do indivíduo e a destreza de uma profissão são duas coisas diferentes e Jesus é Senhor sobre essas duas coisas. Como pessoas que cremos no Deus Criador, você e eu temos de valorizar tanto a prática quanto a postura correta diante Dele. Temos de celebrar a beleza pelo próprio valor dela, porque Ele é o Senhor do Belo, o Criador de todos os dons, e também, temos de promover o relacionamento do artista com Cristo, o Criador de seu talento.
Não existem tribos, nações ou culturas que não tenham Arte, Música ou Esportes. Beleza, canções e celebração existem antes da Humanidade. Eram expressos em Deus, antes de existirmos e até hoje O revelam. Não precisamos justificar o nosso amor pelos Esportes ou Artes como uma oportunidade para evangelismo. Podemos ou não achar isso apropriado. Não há problema em desfrutarmos dos dons e talentos dados por Deus somente pelo seu valor natural. E uma forma de adoração ao Criador.
Temas para procurar quando você estiver estudando e colorindo o que as Escrituras dizem sobre Artes e Entretenimento: música, design, esportes, dança, cultura, vestuário, poesia, literatura, destreza, cores, esculturas e beleza.
A área das Artes e Entretenimento revela: o Cântico dos Cânticos, o Oleiro
O principal atributo de Deus revelado através das Artes e do Entretenimento: Beleza
Deus governa essa área através: das Leis de cada disciplina
Quer você tenha talento usando seu corpo, ouvidos ou olhos, seu talento é uma celebração de Deus e uma parte do Seu chamado em sua vida. Fomos criados para celebrar Beleza e Alegria, como também, para precisar delas. Você é parte da resposta de Deus para essa necessidade. Tudo que Ele criou, quer no micro ou no macrocosmos, é belo e foi criado com som. Então, esteja você celebrando através do trabalho da igreja ou ministrando para os não-crentes, você está servindo a Cristo. Você e testemunha Dele através de suas habilidades e de sua vida. Você não precisa justificar o seu talento, fazendo material religioso ou ajoelhando em oração quando se sair bem, apesar de poder fazer os dois. Seu talento é justificado por ser parte da natureza e do caráter de Deus em você. E parte de quem Ele é e de como Ele fez você. O talento que você tem revela Deus. O mundo precisa de seu talento e da celebração da Beleza e da Alegria que Ele traz. Não impeça o seu talento de fluir. Vamos começar a Nova Renascença.
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